Como convidar alguém para grupo de linhas

Dorocaso — Corações de Areia

2017.09.11 12:34 gilsonvilain Dorocaso — Corações de Areia

Dorocaso Corações de Areia
“Essas alegrias serão jogadas ao esmo. A areia vai consumir suas lembranças até a última gota, e quando não sobrar mais nada você vai virar areia.” Jochasta, rainha dos esquecidos.
De pé ele olhava para as nuvens no céu sem sentir seus pés. Caminhando eternamente sem destino, elas vagavam escuras e carregadas como ele nunca havia imaginado. O solo é engolido pelo breu e os escorpiões alaranjados saem da areia. Cavando e cavando, centenas de lacraus submergem do da escuridão, brilhando e batendo suas garras como soldados marchando para o combate. O medo lhe puxa pela espinha, mas suas mãos estão vazias. Ao longe uma sombra de luz surge na imensidão.
-Davi! A cidade chegou! Davi! Você ainda não acordou? –Disse Franz ao lado da porta. Seus cabelos loiros iluminavam demais para sua vista adormecida. Piscando com força seus olhos, devagar ele se esticava na cama de esponja até sentir suas articulações despertarem. –Hoje não é o seu dia de vender as beterrabas? –Como um soco no peito ele se levantou. O sol já se erguera, e ele ainda estava ali.
-Chuva! –Disse o rapaz se pondo de pé velozmente, apenas para sentir uma tontura e perder parcialmente a visão tendo que se apoiar nas paredes para se manter. Calçando os sapatos escuros e com cheiro engraçado ele se ergueu novamente. Desviando das pequenas lâminas curvadas no chão, ele achou seu caminho até Franz.
-Eu e o Caiou já colocamos as caixas no Sableridge, até que horas você ficou afiando as talons? –Disse o Franz cedendo espaço para que Davi passasse correndo para as escadas. –E não esqueça de comprar um filtro novo para o reservatório!
Subindo as escadas como um lobo atrás de sua presa, Davi vê de relance Seth, Nami e Gilli sentados na mesa da cozinha. –Até as crianças já estão acordadas e eu aqui. –Subindo as escadas enquanto afivelava o cinto marrom, ele se voltou para a janela, olhando ao fundo a grande cidade cinzenta parada no deserto. –Mau dia! –Disse ele pegando a máscara azul presa na parede ao lado do espelho retangular e a colocando em seu rosto. Apertando o fecho e pressionando o único botão em sua lateral, ela se acendeu em um branco fraco. –Ah não!
Olhando a lateral do respirador ele passou o dedo por cima de pontinhos roxos que cercava o gradeado da máscara. Com o polegar pelo lado de dentro ele pressionou o puxador, fazendo as grades se abrirem e liberando a película tomada por centenas de micro pontos que variavam de roxo até rosa fraco. Davi abriu o armário de metal embaixo do espelho deixando que uma brisa gélida saísse. Colocando a película para dentro, fechou a porta e acertou o tempo para quinze segundos. Olhando novamente o espelho ele notou várias manchas de sangue coagulado em seus ombros e braços. Davi deu a volta e foi até a impressora amarelada de sujeira. Pressionando o menu ele selecionou a cor, comprimento da manga e por fim o tamanho, fazendo que a máquina emitisse um som agudo e constante ao passo de que o armário embaixo do espelho soou três apitos seguidos. Retirando a película sem luvas Davi sentiu como se seus dedos fossem derreter, só então sentindo o real frio quando encaixou a lâmina branca de volta na máscara. Vestindo a camisa bege de manga comprida, ele religou o respirador que se acendeu em um branco forte.
Fechando a porta de trás e abrindo a da frente ele foi em direção ao Sableridge. Vários arranhões circundavam o veículo encouraçado, as duas esteiras frontais estavam gastas mas não chegavam ao nível de desgaste dos pneus traseiros. Estes foram remendados tantas vezes que Davi já não sabia se eram feitos de borracha ou de remendo. A lataria perfurada era estrategicamente escondida pela sujeira e a lama viscosa das estradas. –As chaves! –Pensou ele batendo as mãos nos bolsos, só para perceber que não portava nenhuma. –As chaves! Gritou ele em direção a toca.
-Já estão dentro! - Disse Caiou do segundo andar. Davi Se aproximou do painel e ouviu o som de motor. Ele se voltou para Caiou e assentiu com a cabeça.
Poucas estradas cruzam em direção ao grande deserto. A pista de fogo sai da capital até o batalhão especial no sul, circulando o continente e passando por todas as grandes vilas. Usando areia vermelha para montar seus tijolos, a pista de fogo era o jeito mais fácil e seguro para aqueles que não possuíam problemas com o Armata. Ao seu lado muitas trilhas foram feitas ligando pequenas vilas até a pista de fogo, como galhos em um tronco. A estrada de pedra sai das grandes montanhas e se conecta com as estradas de terra, geralmente usadas por contrabandistas ou fugitivos, uma vez que não haviam patrulhas. Davi saiu da toca e seguiu em frente pegando a estrada de barro, o caminho que ele mesmo batizara, ligando a toca até a vila das palmeiras a oeste. Com uma agricultura rudimentar, a vila das palmeiras resistia apenas pela criação de roedores. Fáceis de alimentar eles eram a moeda de troca de algumas dezenas de famílias. De lá ele pegou a estrada de ferro, cruzando a floresta das almas até o grande deserto ao norte. Dali ele já conseguia ver as marcas de pneus na areia, sinal de que estava atrasado. Acelerando ele sentiu o veículo trepidar e perder força, mantendo o acelerador pressionado enquanto reduzia a marcha. Ainda assim a força havia indo embora, e ele seguiu até a pista de fogo na velocidade de um homem correndo. Devagar ele viu rasgando o deserto azul e branco. Mais de mil passos de largura, e outros oito mil de comprimento, com esteiras maiores que a vila das palmeiras, e com pistões mais fortes que dez mil homens, marchando para cima e para baixo, em um compassar estrondoso. Maciça e barulhenta, ela cavava com seus pistões exteriores descendo e subindo como um ferreiro batendo seu martelo, se enterrando mais fundo naquela areia sem dono, ela descansava enquanto ele se apressava. Apertando o pé contra o pedal e tentando aumentar as rotações, ele notou um grupo de pessoas segurando placas. Davi não conseguiu ler o que estava escrito, as manchas azuladas em suas peles tiraram sua atenção. Engatinhando pela estrada de fogo, ele rumou ao sul do titã encouraçado, seguindo outros veículos que jaziam estacionados ali.
Davi estacionou o sableridge ao lado de uma motocicleta de propulsão amarela. Algumas dezenas de veículos estavam ali, ainda assim Davi se surpreendeu com a baixa quantidade. Em temperaturas amenas, aquele pátio sempre estivera lotado de lanchas terrestres e caminhões. No porta-malas ele retirou as quatro caixas cheias de beterrabas, cada uma pesando metade de seu peso. Suas veias saltaram por entre a pele, e com um urro de vontade ele as ergueu caminhando lentamente até a entrada norte.
-Vento! Eu preciso ir até o templo das Lamentações! –Disse uma voz vinda de trás de Davi. Ele girou sua cabeça para procura-la mas no instante seguinte ela havia sumido. –Você tem um carro, pode me levar lá? –Disse a voz. Davi abaixou as caixas e conseguiu ver a moça a sua frente. Bem menor do que ele suspeitava, ela se erguia pouco a cima das quatro caixas deixadas no chão. Olhos cinzentos e lábios fartos, ele não conseguiu distinguir mais nenhuma caraterística dela, além de sua barriga proeminente e arredondada.
-Eu estou indo vender beterrabas na vila. –Disse ele olhando seus braços finos e curtos. –Esse templo fica no norte, não acho que tenha alguém de lá por aqui. –Disse ele se abaixando para pegar as caixas.
-Você não entende, eu preciso ir lá! –Disse ela erguendo a voz e riscando a areia com seu pé.
-Eu entendo, mas agora eu não posso fazer nada para te ajudar. –Disse erguendo novamente as caixas e a perdendo de seu campo de visão.
-Você pode depois? –Perguntou ela com um tom mais doce. Davi começou a andar e não olhou mais para trás. –Vou te esperar aqui!
-Não foi isso que eu quis dizer. –Falou ele alto o suficiente para ouvir suas palavras ecoarem pela vastidão seca, mais baixo o suficiente para não ouvir resposta alguma.
Se arrastando para frente, uma moça de cabelos escuros e longos passou por ele, porventura as caixas ainda tapavam sua visão frontal, o impedindo de conseguiu ver seu rosto. Ele gostava da ideia de andar sem ser percebido. Ao seu lado as vozes vindas da cidade se intensificavam, o empurrando para frente. Ouvindo passos na areia, ele inclinou a cabeça para ver um homem baixo com uma barriga proeminente caminhando de mãos dadas com uma menina de cabelos alaranjados. Os escorpiões voltaram a sua cabeça, e ele desejou que Nissa falasse algo que o puxasse de volta, mas ela estava na toca.
-Chuva! Posso ajudar? –Disse o homem com turbante branco, portando uma máscara amarela e uma barba escura e rala. Davi abaixou as caixas e suspirou por um segundo relaxando os ombros. O homem flexionou os olhos e pequenas bolsas de pele surgiram em cima de suas bochechas.
-Chuva! Eu vou vender as beterrabas. –Disse ele esticando a mão em direção ao homem.
-Os vendedores de comida já estão localizados no setor dois, penso que não há mais espaço para estandes. –Disse o homem o olhando de queixo erguido.
-Eu me atrasei. –Disse Davi abaixando o braço e se aproximando. -Mas eu tenho uma reserva. –Disse batendo as mãos nos bolsos. -E eu conheço o prefeito. –Disse Davi gesticulando com suas mãos armadas em veias proeminentes enquanto ele abria os bolsos internos da camisa.
-Certamente que não conhece. –Disse o homem de turbante. –Uma vez que eu não tenho nem ideia de quem é você, e eu sou o prefeito; Alouite Seeiso. –Disse o homem dois palmos menor que Davi, erguendo ainda mais o queixo para cima. Davi desistiu de procurar a licença e coçando a cabeça.
-Eu deixei na outra camisa! –Percebeu ele olhando para o céu. -Na verdade o prefeito que eu conheço se chama Timothy, ele tem cabelos escuros, é magro e... –Disse Davi gesticulando as medidas com as mãos. –Alto.
-Ah. –Disse Alouite. –Esse é o segundo prefeito. –Disse abaixando a cabeça e apertando os dentes. –De qualquer modo eu sou o prefeito para os assuntos externos da vilavassoura. Eu cuido de quem entra e quem sai.
-Eu sei. –Disse Davi sorrindo por debaixo da máscara. –O Thimoty cuida da manutenção da vila, proteção das pessoas, educação dos jovens, tratamento dos enfermos, conserto das máquinas, contrata os seguranças. –Enumerou Davi olhando para as beterrabas ardendo no sol do deserto. –E o senhor cuida de quem entra e sai. –Disse Davi se mordendo para não o chamar de porteiro.
-Thimoty tem suas funções, eu tenho as minhas. –Disse ele se virando de costas. -E o período para alocação de novos estantes já se encerrou.
-Eu também preciso comprar um filtro. Já acabou o período de entrada de compradores também?
-Hum. –Disse o prefeito de turbante declinando o queixo e encarando os tubérculos. –Você entra, as beterrabas não.
-Tudo bem, quando eu encontrar um vendedor de filtros, eu peço para ele vir até aqui fora retirar o pagamento, o senhor toma conta delas para mim? –Perguntou ele levantando uma caixa e colocando aos pés do prefeito. O homem bufou mais forte e se voltou para recolocar a caixa em cima das outras. Buscando todas as forças de seus braços flácidos, o prefeito ergueu a caixa poucos centímetros do chão, soltando suas alças e voltando a ficar ereto.
-Leve isso daqui. –Disse Alouite ofegante.
-Obrigado senhor prefeito! –Disse Davi erguendo as quatro caixas e seguindo em frente para a o portão de acesso.
-Bem-vindo a vilavassoura. –Disse ele em um tom seco. –Espero vê-lo novamente. –Apertando os olhos e ajeitando o turbante.
O chão de areia afundava a cada passo de Davi. Jogando areia para trás, ele sentia que a cada passo andava menos. Pisando em falso sentiu a areia dar lugar a tábuas de metal. Forçando os joelhos ele subiu a entrada que se elevava pelo menos oito passos do nível do chão. A grande fachada esculpida em madeira e aço, dizia “Village de Balai Cinq”, vilavassoura em uma língua antiga. A gigante de aço possuía metralhadora automáticas acopladas a parte de dentro apontadas para o chão. Aportando e um lugar diferente a cada dois dias, a bordo ela levava mais pessoas que ele conheceria sua vida inteira. Mais cores de cabelo do que tons de céu, mais vozes do que mil autofalantes. O cheiro das comidas, mesmo passando pelo respirador, já encharcava Davi por dentro. Olhando para o arco de entrada, ele viu seis guardas carregando fuzis e ao seu lado um grupo de pessoas rodeando um grande homem de cabelos longos e encaracolados. Davi abaixou as caixas para conseguir olhar por cima, fazendo seus músculos guincharem por dentro, mas seguindo em direção as pessoas.
-Eles andam em caravanas. Centenas de milhares. Caminham até as vilas, e lá destroem tudo. Nada fica para trás, nem os habitantes, é terrível! –Disse a senhora de cabelos curtos usando uma camisa de flores brancas, combinando com sua máscara.
-Devem ter sido mandados pelos homens de sabão. Eles estão há décadas se alastrando pelo litoral. –Disse o senhor de máscara lilás com um guarda-chuva em mãos.
-Não são os homens de sabão, quando paramos na vila da pedra, um soldado me disse que eles comem as pessoas e usam os ossos como adereços, isso é coisa do povo vermelho! –Disse o senhor careca usando um roupão verde.
-Estamos seguros aqui. –Disse o homem no centro, rodando os dedos por entre os fios de cabelo que caiam por seus ombros. –Além disso, todos os relatos são de vilas no Norte. Não há nenhum indício que ela esteja marchando para cá.
-O bosque vermelho foi dizimado. A fumaça chegou até a capital. Quando a Armata foi para o socorro, só haviam cinzas. –Disse a senhora. O homem alto inclinou a cabeça atento a suas palavras quando no meio da multidão, algo pescou sua atenção.
-Com licença. –Disse o homem alto esticando o braço. –Davi?
Davi o olhou e sorriu, ganhando espaço em meio ao aglomerado, colocou as caixas no chão esticou a mão e apertando o antebraço do senhor.
-Chuva Prefeito! –Disse ele chacoalhando o braço e sentindo os dedos finos e longos se apertarem em sua pele.
-Veio vender amoras? –Perguntou o homem de pele clara e lábios roxos e esticados.
-Pretendia. –Respondeu Davi apertando os olhos e observando as beterrabas por um instante até retornar os olhos para o prefeito. Ao seu lado havia uma grande porta dupla de vidro que guardava o estreito corredor em frente, lotado de pessoas andando por entre as lojas. O prefeito girou sua cabeça na mesma direção e coçou o nariz pontiagudo.
-Vamos ver onde eu consigo colocar você. –Disse Timothy dando um tapa em seu ombro. Davi pegou as caixas nos braços e o seguiu enquanto ele entrava na antessala do tumulto. As vozes se mesclavam a multidão atrás do vidro, podia se ouvir tudo, mas nada se entendia.
-Não vi você aqui mês passado. –Disse o prefeito erguendo os braços enquanto a primeira porta de vidro se fechava. No mesmo instante um jato de fumaça quente e clara saiu do chão e inundou toda a parte enquanto o prefeito retirava o respirador. Alguns segundos depois a fumaça se esvaiu pelo teto e a segunda porta se abriu dando acesso ao corredor.
-Mês passado. –Repetiu Davi erguendo as caixas de madeira. –Deu um vazamento lá em casa, tive que desligar todas as saídas de ar, perdemos boa parte da colheita.
-Sinto muito. Suas batatas são ótimas, as cenouras nem tanto. –Disse ele espiando as beterrabas por entre as frestas da caixa. –Você teve mais alguma notícia do Colm? – Davi balançou a cabeça. A mão do prefeito veio ao seu ombro mais uma vez enquanto ele sorria olhando para o chão. -Já pode tirar o respirador. –Disse o prefeito olhando Davi. Cerrando os olhos ele abriu a boca por um suspiro e a fechou. –Eu esqueci, o Colm me contou, mas eu esqueci, desculpa. –Disse ele enquanto Davi erguia o ombro e coçava a cabeça.
Adentrando a multidão de pessoas andando por entre as lojas, o prefeito achava brechas entre os cotovelos e ombros para Davi passar sorrateiramente, avançando entre bolsas e mochilas, sua altura lhe forneci uma visão privilegiado do pátio interno. Alguns passos para frente e uma voz chamou “prefeito! ”. Thimoty se virou e viu um sujeito de pele escura com olhos vermelhos. Com os dedos o prefeito gesticulou pequenos círculos, voltando sua cabeça para frente e seguindo até a segunda parte sem se virar para trás.
-Aqui estamos! –Disse o prefeito olhando o círculo de vendedores sentados em frente a caixas de legumes. –Você vende amoras, amoras são como alfaces não? –Perguntou ele, jogando um cacho de cabelos para trás enquanto olhava para as alfaces.
-Os dois são plantas, mas acho que beterrabas entram mais na sessão de raízes. –Respondeu Davi.
-Hahahahaha raízes! Mas não vendemos árvores aqui, e o único estande que tem espaço é o da alface. –Disse ele apontando para as folhas verdes e crespas. Davi virou a cabeça, mas não disse nada, apenas sorrindo para o prefeito e colocando as caixas no chão. –Chuva minha menina! Qual seria o seu nome? –Perguntou ele piscando para a jovem de cabelos escuros sentada atrás das caixas da alface.
-Naya. –Disse ela entortando a boca e olhando Davi de baixo para cima. –Naya Avilis, senhor. – Seus cabelos se agrupavam em cachos pequenos e longos. O delicado nariz arrebitado apontava para Davi enquanto ela falava com o prefeito. Davi apertou os punhos para tentar sair do seu encanto, mas já tinha certeza que estava encarando a jovem a tempo de mais.
-Este menino tem problema. –Disse o prefeito em direção a Davi, que mesmo assim não tirou os olhos de Naya. –Ou teve um problema. Ele pode dividir o espaço com você hoje? –Perguntou se abaixando e analisando de perto as hortaliças.
A jovem olhou sem expressão para Davi, que corou em menos de um suspiro. Ela ergueu o braço e puxou ar para argumentar, mas virou a mão e o olhou de lado.
-Achei um lugar para você! –Disse o prefeito voltando a ficar de pé. –Vocês se acertam então, eu vou ali procurar algum nabo. –Disse ele sorrindo e andando em direção aos tomates.
-Com licença. –Disse Davi colocando as caixas roxas ao lado das verdes. –Eu me chamo Davi. –Disse ele esticando o a mão em frente. A jovem sorriu e apertou seu antebraço.
-Naya. –Repetiu ela cedendo espaço para que ele dividisse a caixa ao seu lado. –Você por acaso não tem nenhum anel de vilírdia, tem? –Perguntou ela observando um roxo no pescoço de Davi. Ele balançou a cabeça tapando o machucado com a mão direita. –Imaginei que não. –Disse ela erguendo a sobrancelha ao olhar o respirador branco. –Você já foi lá? –Perguntou ela enquanto Davi levantava as sobrancelhas e fazia um beiço com os lábios. –Eu nasci lá. Em Viliris. Você é daqui?
-Eu nasci no Norte. –Mentiu ele. -Uma vila comerciante. –Disse engolindo em seco e levando os olhos até o rosto dela. –Onde fica Vilirdis?
-Viliris. Você nunca ouviu falar? –Perguntou ela abaixando as sobrancelhas e erguendo as bochechas. –Eu saí de lá ainda muito pequena, mas ela fica no extremo leste, entre mares. –Disse ela erguendo a mão e gesticulando uma onda. –No encontro de três continentes, uma linha traçada nos oceanos, delimita a vida e a morte poente, a água dá início e fim aos planos, construindo a ferro e fogo; o tridente, E costurada através dos séculos; mil anos, surge no mar da primeira e última corrente, Viliris, a cidade com sangue dos tiranos, viva para sempre, Viliris, a cidade descontente. –Cantou ela abaixando a mão ao final.
Davi a olhou boquiaberto. Nunca ouviu da cidade, mas as palavras deixavam sua boca com pétalas se soltam de flores no outono. Sua pele lisa acendia entre o cinza das paredes. Seus olhos escuros puxavam sua alma para dentro, e ele já não tinha forças para segura-la. Suspirou fundo e balançou a cabeça.
-Ela fica... no mar? –Perguntou ele encarando as alfaces.
-No Nemo. –Disse ela tirando o cabelo da frente dos olhos. –O ponto mais distante da terra entre os três continentes. –Disse abrindo um tímido sorriso. –Um dia eu vou voltar para lá.
-Quanto pelas batatas rosas? –Perguntou o homem alto de cabelos castanhos curtos que se aproximara usando uma capa marrom e um colete escuro, com braçadeiras pretas que vinham até os pulsos, e duas grandes cicatrizes no pescoço.
-São beterrabas. –Disse Davi se levantando e pegando uma da caixa.
-Batatas, baterrabas, tudo a mesma coisa. –Disse o homem estreitando os olhos. Passando a mão por dentro do colete, ele retira uma corrente avermelhada e a entrega para Davi. –Doze batatas rosas? –Perguntou ele. Davi olhou para a corrente e esticou a mão para pegá-la. Passando os dedos entre os elos e olhou de volta para o homem.
-Oito. –Disse Davi. O homem passou a mão em outro bolso e retirou um pequeno brinco prateado e o colocou na mão de Naya.
-Doze. –Disse ele rangendo os dentes enquanto ela olhava para a joia. Davi se voltou para Naya que segurava o brinco em frente aos seus olhos.
-Doze. –Repetiu Davi assentindo com a cabeça. O homem retirou a mochila das costas e começou a escolher as beterrabas. Naya entregou o brinco a Davi que o segurou com as pontas dos dedos. O brinco imitava o formato de uma orelha, adornado de pequenas pedras azuis, ele formava uma ponta no topo. Voltando-se para o homem, Davi já não o encontrava a multidão de pessoas andando entre as vendas.
-Bonito esse brinco. –Disse Naya passando o dedo por sua ponta.
-Você quer? –Perguntou ele corado.
-Ele é seu. –Disse ela se afastando.
-Eu não uso brinco, ele iria ficar bonito em você. –Disse ele esticando a mão em sua direção. Ela o apanhou e colocou na orelha esquerda.
-Como ficou? –Perguntou ela.
-Sen... –Disse ele buscando ar nos seus pulmões. –Sensacional. –Completou sorrindo.
-Mas eu não te conheço, não posso aceitar um presente assim. –Disse ela desatarraxando o pingente.
-Não, é um presente. –Disse Davi esticando seu braço em direção as hortaliças e pegando uma folha verde e molhada. –É uma troca. –Disse ele mordendo a alface com força e empurrando o resto da folha para dentro da boca. Naya riu e colocou o brinco de volta.
Antes do sol chegar no topo, todas as beterrabas já haviam sido trocadas, ao passo que mais da metade das alfaces esperavam paciente nas caixas de madeira. Davi já havia aprendido sobre o período de Naya em Viliris, sobre o Vento, o barco de seu pai que havia cruzado todos os mares baixos da costa entregando tâmaras do oceano. Dos monstros antigos que ameaçavam os cargueiros a cruzar os estreitos de pedra. Do tempo em que Naya morou nas minas de marfim com sua tia, das aventuras nas montanhas azuis, de sua vinda até a vilavassoura. Davi podia ficar ali o ano inteiro a ouvindo falar.
-Eu moro em uma “casa” na floresta. –Disse Davi apoiado na borda da vila vassoura apontando para o horizonte. –Você continua por aquele caminho até a vila das palmeiras e vira para a estrada de barro.
-Eu preciso ficar aqui a tarde, você não volta amanhã? –Perguntou Naya olhando as árvores dobradas. Davi balançou a cabeça olhando para baixo. –Meu pai é dono de uma empresa de mineração perto daquela montanha ao sul. Talvez eu volte para visita-lo um dia. Se você me convidar para conhecer a sua casa, talvez eu aceite o sofrimento de passar um tempo com ele.
-Ele é mau com você? –Perguntou Davi se voltando para ela. Na parte de fora do mercado, os dois se escoravam na lateral da cidade de aço. Naya usava um respirador vermelho com azul. Davi pensou em sugar todo o ar do mundo só para poder ver seus lábios mais uma vez.
-Ele é ausente. –Disse ela olhando para a amontanha verde. –Desde que ele deixou o barco e criou raízes na terra, ele não tem tempo para mais nada.
-Se você quiser ir lá em casa, eu acompanho você até essa fábrica. –Disse ele sorrindo por debaixo da máscara.
-Gostaria de ver você tentar. –Respondeu ela o olhando no fundo de seus olhos. –Você é diferente Davi. –Ele se virou de costas para a borda da cidade se encostou com as costas e cotovelos.
-Diferente bom? –Perguntou ele inclinando a cabeça.
-Diferente, porque você tem tantos roxos pelos braços? –Perguntou ela se voltando para examinar os machucados.
-Ah isso. –Disse ele olhando para um grande hematoma no seu pescoço. –Você me acompanha até a toca, e eu te conto o que você quiser saber sobre mim.
-Hum. –Disse ela torcendo o lábio. –Isso é um encontro? –Perguntou ela erguendo as sobrancelhas.
-Não, isso é só uma conversa. –Respondeu ele observando o brinco em sua orelha esquerda. –Quando eu te ver de novo será um encontro.
-Me diga algo primeiro. –Disse erguendo as sobrancelhas. –Porque você entrou no mercado de máscara? –Os pelos nos braços de Davi se eriçaram e ele baixou os olhos, dando um passo para trás.
-Eu preciso ir. –Disse ele diminuindo em tamanho.
-Desculpa. –Disse ela. –Eu não queria...
-Não há nada por que pedir desculpas. –Disse ele se aproximando das caixas vazias deixadas no chão. –Eu não me importo tanto com isso. –Disse ele desengatando a fivela que prendia a máscara branca. Devagar ele a abaixou segurando a respiração. Engatando novamente suas pontas ele puxou o ar com dificuldade até o respirador se acender em branco. –Mas as pessoas olham muito quando eu fico sem. Por isso prefiro ficar com ela.
-Com quantos anos você saiu de lá? –Perguntou ela deixando que as lágrimas corressem soltas sem se importar.
-Eu não sei. –Disse ele sorrindo com os olhos. –Minha mestra me tirou de lá, eu conto meu aniversário a partir daí.
-Entendo. –Disse ela limpando os caminhos deixados pelas lágrimas em seu rosto. –Então, eu passo a vila das palmeiras e viro à esquerda?
-Esquerda de quem vêm, direita de quem vai. –Disse ele caminhando em direção a saída da vilavassoura.
-Eu vou mesmo hein. –Disse Naya passando os dedos no brinco esquerdo.
-Assim espero. –Disse ele erguendo a mão e a balançando no ar. –Chuva Naya de Viliris!
-Chuva Davi! –Disse ela já distante.
Caminhando até o sableridge com as caixas vazias, tudo o que Davi conseguia fazer era reviver em sua mente as lembranças que recém fizera. Entoando as falas e buscando por detalhes que havia deixado passar. Naya deixou seus olhos, mas não sua mente. O cheiro doce. Desejou poder sentir aquele perfume para o resto da vida, mas tudo o que tinha era ar filtrado.
Caminhando sem pensar, avistou o sableridge, agora com muitos veículos ao redor. Sem pressa ele depositou as caixas no seu porta-malas e deu a volta para ir embora. Entrando ele fechou a porta e esticou a mão para puxar o cinto, olhando para o lado e sentindo seu coração apertar tanto que poderia sair do lugar.
-Agora você me leva? –Perguntou a moça grávida sentada ao seu lado. Davi não gritou, mas sentiu sua alma tremer.
-O que você está fazendo aqui dentro?! –Perguntou ele soltando o cinto a abrindo a porta.
-Você disse que me levaria. –Respondeu ela afivelando o cinto.
-Não! Eu disse que... –Começou ele apontando seu dedo, só então tentando lembrar do que havia dito. As palavras se enrolavam em sua mente, mas ele tinha noventa por cento de certeza de que não havia dito aquilo. Olhando para dentro ele viu os olhos da moça se abaixarem enquanto ela erguia os lábios inferiores para frente. –Eu não vou para lá. Posso te deixar na vila das palmeiras, de lá talvez você consiga alguma carona. A moça concordou com a cabeça, e Davi reentrou no sableridge.
Dirigindo em silêncio para fora da cidade na areia, Davi notou quatro motocicletas estacionadas na entrada da floresta que dava caminho para a estrada de ferro. Olhou para os lados, mas não viu ninguém, decidindo por seguir em frente. Pensou que se tivesse com a Ajna, poderia rever seu rosto depois, mas com a incerteza das vilasvassoura, talvez tudo que restasse fosse aquela memória malformada ainda.
Acelerando em frente o veículo começou a falhar perdendo força. Reduzindo a marcha as esteiras forçavam o carro sem resultado. Duas motos de propulsão surgiram em meio as árvores retorcidas e tomaram a frente do veículo. Davi pisou o acelerador, mas as rotações não aumentavam, permanecendo pouco mais rápido que um homem caminhando.
-Ele não anda mais que isso? –Perguntou a moça olhando para o velocímetro no painel. Davi tirou os olhos do volante e examinou as marcas no chão, só então se voltando para ela.
-Peixe dado não se olha as ovas. –Respondeu pisando fundo no acelerador sem retorno. Ao longe um ronco começou a crescer. Olhando pelo retrovisor ele viu quatro motos se aproximando.
-Talvez eles possam ajudar. –Disse ela olhando com seus olhos cinzas pelo retrovisor.
-Você conhece eles? –Perguntou Davi olhando os quatro homens descerem das motos com armas em mão. Ela balançou a cabeça se apertando para trás. Parando ao lado da porta do carro, um homem a apontou um revólver para Davi. Segurando o volante com mais força e retirando o pé do acelerador, o carro morreu.
-Sai todo mundo! –Disse o homem do lado de fora. Davi olhava fixamente para a moça. Respirando forte ele não sabia como havia sido tão ingênuo. Claramente ela conhecia eles. O velho truque da laranja que prepara o terreno para seus amigos. Seu sangue fervia em suas veias, e ele sentiu vontade de dar um soco naquela barriga falsa. Mas aquela arma era o problema principal, por enquanto
-Calma amigo, a gente só quer o que você ganhou lá dentro. –Dizia outro homem de ombros largos e cabelo curto, usando um respirador azul escuro, ao lado da porta do carona. Suando frio, ele não ousou olhar para o porta-malas, onde todo o seu ganho daquela manhã estava guardado.
Davi respirou fundo e retirou o cinto de segurança, apertando o botão vermelho abaixo do volante antes de ser puxado pela fora pelo homem que se agarrara ao seu pescoço, o jogando no chão. O homem careca se aproximou e começou a dar tapas nas pernas e braços de Davi que tentava se recompor.
-Limpo. –Disse o careca se afastando.
-Se vocês continuarem assaltando os clientes da vilavassoura, eles vão apenas parar de vir aqui. –Disse Davi olhando o homem de máscara azul enquanto outros dois entraram no sableridge revirando os bancos em busca de algo. A grávida estava em pé do lado de fora segurando sua barriga falsa.
-A gente segue ela, problema nenhum, sabe. –Disse ele fixando os olhos escuros em Davi. –Mas pelo visto você já tem um costume de ser assaltado, sabe. –Disse ele olhando para os roxos nos braços de Davi.
-Mais ou menos. –Respondeu ele olhando para trás. Um distante ronco de motor vinha em direção a estrada de fogo. Davi só conseguia pensar em quanto odiava surpresas.
-Tem uma luz piscando aqui dentro. –Avisou o homem de barba grisalha de dentro do carro.
-Você chamou alguém? –Perguntou o homem de azul dando um tapa no rosto de Davi. –Eu queria fazer as coisas sem violência, mas vocês sempre pedem, sabe. –Disse ele puxando a arma de trás das costas e apontando em direção ao barulho.
-Não chamei ninguém. –Disse Davi vendo no horizonte um veículo preto se aproximando, enquanto sentia seu rosto esquentar. Davi estava tão confuso quanto eles, o carro parecia ser de Thimoty. O homem deu-lhe mais um tapa com as costas da mão e Davi caiu de joelhos segurando a máscara. Do chão ele viu o assaltante disparar uma saraivada de balas em direção ao carro, fazendo que ele virasse para o lado e batesse em cheio a uma árvore, levantando uma nuvem de areia.
Thimoty, aquele era o carro do prefeito. Rodas prateadas, capô adornado em madeira. O que ele estaria fazendo ali, se perguntou no chão.
-O que a gente faz Tellius? –Perguntou o homem careca.
-Vá ver quem está lá! –Urrou o homem de azul apertando os dentes. Correndo em direção ao carro preto, um vulto abriu a porta e saiu mancando escorando-se nas árvores.
-Quem vem lá? –Perguntou o homem careca apontando seu revólver. Uma voz doce veio em resposta, atiçando os nervos de Davi ao máximo.
-Naya. –Disse ela erguendo as mãos enquanto o homem se aproximava.
Davi olhou para cima ignorando a conversa entre os dois. Procurando no céu, ele ainda não havia encontrado nada.
-Não vai chover hoje não garoto. –Disse o homem de azul rindo em pé a sua frente. –Tragam a menina, tenho um amigo que pagaria bastante por ela, já essa grávida aí...
-Não é chuva que eu espero. –Disse ele vendo um risco no céu.
O homem abaixou o rosto para olhar novamente para Davi, sendo surpreendido por uma cabeçada em seu estômago. Davi se levantou e subiu em cima do carro gritando “Aqui, aqui! ”. O risco no céu voava rápido e ao se aproximar largou uma grande caixa de metal em cima do veículo, balançando sua estrutura e levantando uma grande nuvem de poeira e detritos.
-Maldito! –Disse o homem de azul no chão com uma mão na barriga e a outra tapando os olhos contra a poeira. –Eu vou te picar inteiro e te jogar para os peixes, sabe! – Ao seu lado a grávida corria para dentro da floresta em direção a vila das palmeiras.
Davi pulou em cima da caixa e ela jogou uma forte luz esverdeada que o varreu por completo em menos de um piscar de olhos. A caixa abriu as laterais, saindo lâminas longas que se encaixaram nos pés de Davi, subindo o tornozelo, joelhos até se prender completamente nas duas pernas. As lâminas se prendiam desordenadamente, se arrastando entre si até encontrarem o seu encaixe. Davi pulou para frente a caixa se ergueu em seu próprio eixo, encaixando uma camada de lâminas nas suas costas, correndo o metal até os seus braços, cobrindo cada parte do seu torso. Ele se virou para trás ouvindo um tiro, rapidamente pegando o elmo prateado com um círculo azul claro no meio. Ajeitando em sua cabeça, ele se voltou para olhar os homens ainda confusos pela nuvem de poeira.
Investindo em frente, Davi passou as lâminas das mãos pelas costas do braço do homem de azul, fazendo seis pequenas e rápidas incisões em seu braço direito, enquanto contornava por trás, golpeando as pernas do homem sem reação. A lâmina fina penetrava a carne como um graveto penetra a areia. Entrando e saindo, ele costurava uma trilha de pequenos furos que passavam a pele e se enterravam até ele sentir um desengate interno. Indo para dentro do carro, Davi golpeou os dois invasores dezenas de vezes em pontos entre as costas e a barriga, sem derramar uma única gota de sangue. Com a poeira baixando ele conseguiu ver ao longe o homem careca apontando a arma para Naya, tremendo como um galho fino em frente ao furacão. Jogando a arma no chão, ele correu para trás, em direção ao grande deserto.
-Meus braços, o que você fez com os meus braços?! –Perguntou o homem no chão. Davi se aproximou emitindo um som de lâminas de metal se arrastando umas nas outras. Davi já estava cansado, e aquela armadura facilmente pesava o dobro das caixas de beterraba.
-Meu juramento me proíbe de matar qualquer um que não esteja no mesmo nível. Eu só cortei todos os tendões dos seus braços, você não vai mais usa-los. –Disse Davi retirando o elmo. –Mas o juramento não fala nada sobre abandonar moribundos. –Disse Davi passando a lâmina da mão esquerda por entre a tira que prendia a máscara azul do sujeito. Pegando-a com a mão Davi a colocou em cima da mão imóvel do homem no chão. –Sua máscara está aqui, é só a colocar de novo. Mas prenda a respiração, o ar daqui não faz muito bem, sabe?
-Desgraçado. –Disse o homem selando os lábios e amaldiçoando Davi com os olhos.
Se atentando aos sons, ele sentiu uma fisgada lhe puxar a direita, recolocando o elmo. “Nissa? ” Perguntou ele sem voz. “Três ameaças neutralizadas. Um suspeito está correndo em direção ao grande deserto a 2,759 metros por segundo. ” Ele sorriu ao ouvir a voz dela em sua mente. “Como elas estão? ” Perguntou ele se virando para olhar Naya. “Uma sofreu arranhões e uma provável contusão no lobo parental. A outra sofreu um tiro no tornozelo, está perdendo sangue. ” Davi girou seu corpo para olhar a grávida no chão se arrastando, esticando no chão uma linha vermelha que a separava de seu pé direito.
-Você é um... –Disse Naya se aproximando mancando com um filtro em mãos. Davi se voltou para ela e retirou novamente o elmo, pressionando o círculo azul claro em seu centro. A armadura de lâminas se soltou e caiu no chão desmontada. -Você é um alado!
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2017.07.04 20:21 feedreddit Cibersegurança para todos: como proteger a privacidade de suas conversas com o Signal

Cibersegurança para todos: como proteger a privacidade de suas conversas com o Signal
by Micah Lee via The Intercept
URL: http://ift.tt/2tNJqLd
Video de Lauren Feeney
O conteúdo das suas conversas – sejam elas pessoais, profissionais ou políticas – pode ser alvo da espionagem de um governo local ou estrangeiro. Além disso, o envio de uma senha ou número de cartão de crédito pelo celular também pode ser interceptado por um criminoso. Ou então você pode querer se candidatar a um emprego sem o conhecimento do seu chefe atual; discutir um assunto delicado com um advogado; conversar com amigos sobre a ida a uma manifestação, um aborto ou a compra de uma arma; enviar fotos íntimas ao seu parceiro(a) sem que ninguém as veja; ou querer manter segredo sobre um novo relacionamento no trabalho. Esses são apenas alguns exemplos de como a privacidade pode ser importante.
Felizmente, a privacidade é um direito fundamental do ser humano.
Infelizmente, a maioria das ferramentas utilizadas para se comunicar via celular – ligações, mensagens de texto, e-mails, Facebook, Skype, Hangouts etc. – não são tão privadas como poderíamos pensar. Sua operadora de telefonia, seu provedor de internet e as empresas que criam os aplicativos que você usa para se comunicar podem interceptar o que você diz ou escreve. Seus bate-papos podem ser acessados pela polícia e por agências de espionagem como a NSA. Eles também podem ser vistos por _qualquer um_que pegar e vasculhar o seu telefone. Algumas mensagens podem ser lidas mesmo com o celular bloqueado, na tela de notificações.
Mas é possível garantir a privacidade das suas conversas. O primeiro passo é instalar um aplicativo chamado Signal – e seus contatos devem fazer o mesmo. Então é só configurar o programa para bloquear as ameaças.
O Signal é fácil de usar, funciona tanto no iOS – o sistema operacional dos celulares da Apple – quanto no Android – do Google – e criptografa suas mensagens de forma que apenas você e seu interlocutor possam decifrá-las. Além disso, ele é um software de código aberto, então qualquer especialista pode verificar se o programa é realmente seguro. O Signal pode ser baixado na Play Store do Android e App Store do iPhone.
Embora o Signal seja um software muito bem feito, você precisa fazer alguns ajustes para maximizar a segurança de suas conversas. Já escrevi sobre algumas dessas configurações no ano passado, mas o programa mudou muito desde então, e talvez você não conheça algumas de suas funcionalidades mais úteis.
Vou falar sobre elas em detalhes mais abaixo – e no vídeo acima, criado por Lauren Feeney.
Para ir diretamente a um item específico, clique no link correspondente abaixo:

Recomende o Signal a seus amigos

Você só pode enviar mensagens criptografadas e fazer ligações protegidas para outros usuários do Signal. Não adianta instalar o programa e continuar usando torpedos não criptografados para se comunicar. Faça com que seus amigos também instalem o aplicativo.
Se você é um ativista, recomende o Signal aos participantes da próxima reunião ou manifestação; se é jornalista, fale com suas fontes e editores; se está se candidatando a algum cargo político, use o Signal para se comunicar com sua equipe de campanha.

Bloqueie seu telefone

O Signal usa uma rigorosa criptografia de ponta-a-ponta, que, quando verificada, impede que o conteúdo das mensagens seja decifrado por um intermediário, como os criadores do Signal, operadoras de telefonia, provedores de internet – ou pela NSA e outras agências de espionagem que coletam dados em massa na internet.
Mas a criptografia do Signal não pode impedir que alguém pegue o seu telefone e abra o aplicativo para ler suas mensagens. Para isso, é preciso bloquear o acesso ao telefone com uma senha ou outra forma de autenticação. Você também deve habilitar a criptografia de dados do aparelho e atualizar o sistema operacional e aplicativos com frequência, pois isso dificulta consideravelmente a ação dos hackers.
No Android:
No iPhone:

Oculte as mensagens do Signal na tela de bloqueio

A criptografia do Signal será de pouca serventia se outras pessoas puderem ver as mensagens que você recebe na tela bloqueada do seu celular. Se o seu telefone costuma estar ao alcance de pessoas que não deveriam ler suas mensagens – colegas de quarto, colegas de trabalho e seguranças de aeroporto, por exemplo – desative a pré-visualização de mensagens do Signal na tela de bloqueio do telefone.
À esquerda, notificação do Signal em um iPhone bloqueado. À direita, notificação do Signal em um Android bloqueado.
Siga estes passos para desativar as notificações do Signal:
No Android:
No iPhone:
À esquerda: notificações do Signal oculta em um iPhone bloqueado. À direita: notificação do Signal oculta em um Android bloqueado.

Não guarde suas mensagens para sempre

Quando uma mensagem criptografada é enviada pelo Signal, apenas dois dispositivos guardam cópias do texto trocado: o seu celular e o do destinatário. Diferentemente de outros aplicativos de troca de mensagens, o servidor do Signal nunca tem acesso às mensagens, e os conteúdos criptografados permanecem online por muito pouco tempo. Isso significa que, quando você apaga uma mensagem do seu telefone – e o destinatário faz o mesmo – esse conteúdo deixa de existir. É uma boa ideia apagar seu histórico de mensagens frequentemente, principalmente quando se trata de conversas confidenciais. Dessa forma, se o seu telefone for vasculhado, as conversas de um ano atrás de que você nem se lembrava – e aquela conversa confidencial da semana passada – não serão encontradas.
O Signal permite programar a exclusão de mensagens depois de um certo tempo (entre cinco segundos e uma semana), tanto do telefone do remetente quanto do destinatário. Essa função se chama “Mensagens efêmeras”. Porém, nada impede que o seu interlocutor grave as mensagens antes que elas sejam excluídas – por meio de captura de tela, por exemplo.
Se você costuma mandar mensagens confidenciais para amigos ou grupos do Signal (vou falar sobre grupos mais adiante), recomendo ajustar a exclusão programada das mensagens para uma semana depois de lidas. Você também pode ativar as “mensagens efêmeras” para um contato e logo depois desativá-las, o que pode ser útil para o envio de uma senha, por exemplo.
No Android:
No iPhone:
Neste exemplo, as mensagens desaparecerão depois de cinco minutos.
Você também pode apagar manualmente mensagens individuais – ou mesmo conversas inteiras – do seu telefone. Mas você não pode, é claro, apagá-las do telefone do destinatário; isso só é possível com a opção “Mensagens efêmeras”.
No Android:
No iPhone:

Como enviar e receber fotos e vídeos privados

O Signal facilita o envio de fotos e vídeos criptografados – inclusive _gifs_animados. Quando estiver conversando com alguém, basta dar um toque no clipe de papel para abrir sua coleção de fotos ou acessar diretamente a câmera do celular.
O Signal também tem outro dispositivo de segurança: as fotos e vídeos gravados a partir do próprio aplicativo não são salvos automaticamente na memória do telefone. Da mesma forma, as fotos e vídeos que você receber também não serão gravados automaticamente. Se você quiser adicionar uma foto à coleção do celular, basta dar um toque longo na foto e salvá-la.
Por que isso é importante? Muitas pessoas sincronizam automaticamente fotos e vídeos com serviços de armazenamento em nuvem como iCloud, Google e outros. Elas também costumam permitir que aplicativos como Facebook e Instagram tenham acesso à galeria de imagens do telefone. Por mais cômodo que seja, isso significa que o provedor do serviço de armazenamento em nuvem também terá acesso às suas imagens, podendo entregar os dados a terceiros, como uma agência governamental. Da mesma forma, suas imagens podem ser acessadas por hackers, como em 2014, quando fotos de celebridades nuas foram publicadas na internet depois de um ataque a suas contas no iCloud.
Portanto, se você fotografar um documento confidencial para um jornalista – ou tirar uma _selfie_sensual para o(a) namorado(a) –, envie as fotos diretamente pelo Signal, que é capaz de criptografar uma imagem da mesma forma que uma mensagem de texto.

Como criar grupos de discussão seguros

Para mim, uma das funcionalidades mais úteis do Signal é a possibilidade de criptografar uma conversa em grupo. Qualquer pessoa pode criar um grupo no Signal e adicionar quantas pessoas quiser; as mensagens de todos os membros serão criptografadas. Assim como nas conversas individuais, você pode habilitar a exclusão programada de mensagens, fotos e vídeos. Veja alguns exemplos de situações em que os grupos do Signal podem ser úteis:
Veja como usar os grupos do Signal:
No Android:
No iPhone:
Os grupos do Signal são úteis, mas não são perfeitos. Os problemas podem ser resolvidos em versões futuras, mas, por enquanto, são os seguintes:

Como fazer chamadas de voz e vídeo seguras

Além de permitir o envio de mensagens de forma segura, o Signal também pode ser usado para fazer ligações criptografadas de voz e vídeo. Basta selecionar o ícone de telefone para ligar para um contato. Trata-se de uma ligação telefônica normal, mas com a segurança da criptografia de ponta-a-ponta. Para iniciar uma chamada de vídeo, toque no ícone de câmera durante a ligação para ativar a câmera – simples assim.
Durante uma chamada de voz ou vídeo, seu interlocutor pode ver o seu endereço IP, o que pode ser utilizado para determinar a sua localização. Na maioria das vezes isso não importa, mas às vezes pode ser um problema – se você não quiser revelar de que país está ligando, por exemplo. Nesses casos, é possível redirecionar a ligação através dos servidores do Signal, fazendo com que o único IP visível no outro lado da linha seja o do próprio Signal. Essa função diminui ligeiramente a velocidade da conexão, o que pode reduzir a qualidade da ligação. Veja como habilitá-la:
No Android:
No iPhone:

Como enviar mensagens sem adicionar o destinatário aos contatos

A maioria das pessoas sincroniza seus contatos com o iCloud, Google, a empresa em que trabalham ou outros serviços de nuvem. Isso é muito conveniente; se você perder o telefone e comprar um novo, poderá recuperar seus contatos. Porém, isso quer dizer que sua lista de contatos pode ser acessada pelos provedores do serviço de sincronização, que, por sua vez, podem fornecer os dados para a polícia ou agências governamentais.
Você pode querer conversar com certos contatos de maneira segura, mas sem adicioná-los à sua lista de contatos. Por exemplo, se você quiser vazar uma informação para um jornalista sem ser investigado por isso, é melhor não salvar o número do repórter na nuvem.
O Signal permite que você converse com pessoas que não estão na sua lista de contatos. Para fazer isso, abra o aplicativo, selecione o ícone de caneta para iniciar a conversa e digite o número de telefone no campo de busca. Se a pessoa em questão for usuária do Signal, você poderá trocar mensagens criptografadas com ela sem ter que adicioná-la aos seus contatos.

Use números de segurança para se proteger de ataques

Esta seção pode parecer um pouco confusa – o funcionamento da criptografia é uma coisa meio complicada mesmo. Mas o mais importante aqui é aprender como verificar os números de segurança.
Mais acima, eu disse que o Signal garante a privacidade das suas conversas quando devidamente verificado. Para usar o Signal corretamente, é preciso verificar se suas comunicações não estão sendo interceptadas em um ataque man-in-the-middle.
Um ataque man-in-the-middle(“homem no meio”, em tradução literal) acontece quando duas pessoas – Alice e Bob, por exemplo – pensam que estão conversando diretamente uma com a outra, mas, em vez disso, tanto Alice quanto Bob estão conversando com um intermediário, que intercepta tudo o que está sendo dito. Para proteger totalmente as suas conversas, é preciso verificar se a troca de informação criptografada está sendo feita diretamente com seus contatos, e não com algum impostor.
Você tem um “número de segurança” em comum com cada contato do Signal. Por exemplo, Alice tem um número de segurança em comum com Bob e outro com Charlie. Quando Alice liga para Bob, se o número de segurança que aparecer no celular de ambos for igual, isso significa que a conexão é segura. Porém, se os números forem diferentes, tem alguma coisa errada; talvez Alice ou Bob estejam vendo o número de segurança que têm em comum com o interceptador, o que explicaria a discrepância.
É improvável que alguém tente atacar a sua conexão _na primeira vez_que você entrar em contato com um amigo. Por isso, o Signal considera como seguro o primeiro número de segurança atribuído para cada contato. Mas, se o conteúdo da conversa for confidencial, é melhor confirmar assim mesmo.
Para verificar a integridade da criptografia, acesse a tela de verificação da seguinte forma:
À esquerda: tela de verificação do número de segurança no iPhone. À direita: tela de verificação do número de segurança no Android.
Existem algumas maneiras de verificar com um amigo se seus números de segurança são iguais. A mais fácil é presencialmente, juntos no mesmo lugar, mas também é possível fazê-lo à distância.
Como verificar um contato presencialmente
Se você puder se encontrar com seu contato, basta escanear o código QR (um código de barras quadrado) dele. No Android, toque no círculo com o código para escanear; no iPhone, selecione o ícone “Escanear código”. Aponte a câmera para o código QR de seu amigo: se o processo for completado normalmente, isso significa que a criptografia é segura.
Como verificar um contato à distância
Se vocês não puderem se encontrar pessoalmente, é possível verificar os números de segurança à distância, embora o processo seja um pouco trabalhoso.
Você e seu contato devem enviar o número de segurança por meio de um canal externo – ou seja, por fora do Signal. Envie uma mensagem no Facebook, Twitter, um e-mail ou faça uma ligação telefônica – ou então use outro aplicativo de mensagens criptografadas, como WhatsApp ou iMessage. Se estiver realmente preocupado com uma possível interceptação, recomendo fazer uma ligação; se você conhece a voz do seu contato, é muito difícil alguém se fazer passar por ele.
Quando seu contato receber seu número de segurança, ele deverá acessar a tela de verificação e comparar – algarismo por algarismo – o que você enviou com o que ele está vendo. Se os números forem idênticos, a conexão é segura.
Tanto no Android quanto no iPhone, você pode tocar no botão de compartilhamento na tela de verificação para enviar o número de segurança via outros aplicativos ou copiá-lo para a área de transferência do telefone.
Verifique novamente contatos que trocarem de telefone
De vez em quando, você pode ver a seguinte mensagem no Signal: “Número de segurança modificado. Toque para verificar.” Isso pode signifcar uma das duas seguintes possibilidades:
  1. Seu contato instalou novamente o Signal, provavelmente por ter comprado um novo telefone.
  2. Alguém está tentando interceptar suas conversas.
A segunda alternativa é menos provável, mas a única maneira de ter certeza é verificar novamente o número de segurança com o seu contato.

Como usar o Signal no seu computador

Embora seja necessário instalar o Signal no celular para começar, também é possível instalar o aplicativo no seu computador. O programa não tem todas as funcionalidades da versão para celular – ainda não é possível fazer chamadas ou modificar grupos –, mas pode facilitar muito a vida de quem usa o Signal. Principalmente se, assim como eu, você passa o dia inteiro na frente do computador e precisa do Signal para trabalhar.
Trata-se de uma extensão para o navegador Chrome. Ou seja, primeiro é preciso instalar o Chrome no seu computador. Só então você pode baixar o Signal na Chrome Web Store. Ao executar o programa pela primeira vez, siga as instruções na tela para conectá-lo ao Signal do seu smartphone.
No entanto, instalar o Signal no seu computador proporciona mais uma possibilidade de ataque e interceptação de dados. Quando você usa o Signal apenas no telefone, se alguém quiser ler suas conversas, ele terá que hackear o seu celular. Mas se você também usa o aplicativo no computador, um hacker pode atacar _tanto o seu telefone quanto o seu computador_– o que for mais fácil. Por causa das diferenças na arquitetura dos sistemas operacionais de celulares e computadores, o mais provável é que o seu computador seja o alvo mais fácil.
Além disso, seus dados do Signal são armazenados de forma mais segura no telefone. No Android e no iOS, suas mensagens – e chave criptográfica – são armazenadas pelo próprio Signal, e outros aplicativos não têm acesso a elas. Já no Windows, MacOS e Linux, esses dados são guardados em uma pasta do seu disco rígido, e praticamente _todos_os seus aplicativos têm acesso a ela. Portanto, em certas situações, talvez o mais prudente seja não instalar o Signal no computador.
Tradução: Bernardo Tonasse
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